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ARTIGO

Indução à lactação: estratégia para produtividade leiteira

novembro de 2024
3 min de leitura

Em rebanhos leiteiros, assim como em rebanhos de corte a eficiência reprodutiva é fundamental, pois determina o número de parições e, consequentemente, quantas vacas entrarão em lactação após o parto. O ideal é que a fêmea emprenhe o mais o rápido possível após o período de espera voluntário, que se estende desde o parto até a liberação do animal para a reprodução. No entanto, algumas fêmeas encerram a lactação sem conseguir estabelecer uma nova gestação, resultando em:

 

  • Aumento do descarte involuntário; 
  • Redução do período produtivo;
  • Redução do número de animais para reposição;
  • Redução no progresso genético.

 

É importante ressaltar que a não ocorrência da gestação não significa, exatamente, infertilidade. Fatores como qualidade do sêmen, habilidade do inseminador, manejo, nutrição e ambiente, podem impactar a taxa de concepção, mesmo em animais geneticamente férteis.

 

Uma alternativa promissora para reduzir o descarte involuntário e aumentar a produtividade é a indução à lactação. Este protocolo mimetiza as alterações hormonais que ocorrem antes do parto, estimulando o desenvolvimento da glândula mamária e a produção de leite, permitindo que a fêmea inicie um novo período de lactação. Este protocolo pode ser utilizado também em novilhas, que atingiram o peso e estejam aptas a reprodução, mas que não emprenharam.

 

O protocolo consiste na aplicação de progesterona, estrógeno, prostaglandina, somatotropina e corticosteróide, que replicam o perfil fisiológico presente no final da gestação, conhecido como colostrogênese. Isso faz com que o organismo da fêmea entenda que é o momento de produzir leite.

 

Em parceria com universidades, a Ourofino desenvolveu um protocolo de indução à lactação (figura 1), que resulta em uma resposta positiva em 85% das fêmeas, levando a uma produção média de leite correspondente a 70% da lactação fisiológica.

 

Para garantir o sucesso do protocolo, é necessário selecionar as fêmeas com base em alguns critérios:

 

1) Produtividade;

2) Escore de condição corporal;

3) Sanidade (estarem saudáveis);

4) Número de lactações.

 

Além disso, as fêmeas devem ser submetidas ao protocolo de secagem completo, que deve ser iniciado após 40 dias de período seco. O protocolo tem duração de 21 dias, totalizando 60 dias de secagem antes do início da lactação induzida.

 

Protocolo de indução à lactação convencional

Figura 1. Protocolo de indução à lactação convencional (Mingoti et al., 2016 – ICAR)  

 

Assim como vacas que pariram, as vacas induzidas iniciam a produção com colostro, que deve ser descartado por pelo menos 9 ordenhas. Além da produção de leite, outra vantagem do protocolo de indução à lactação é o retorno à função reprodutiva, sendo uma estratégia para incrementar a fertilidade de fêmeas repetidoras de serviço.

 

Mesmo que a vaca seja eventualmente descartada por infertilidade, conseguir uma ou duas lactações antes do descarte ajuda a diluir a depreciação do animal, reduzindo os custos anuais com reposição do rebanho. Essa estratégia pode ser a chave para maximizar o retorno sobre o investimento na produção leiteira.

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