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Vacinação contra as clostridioses

maio de 2019
3 min read

As clostridioses são umas das principais fontes de prejuízo na pecuária moderna, representando 400 mil casos/ano, chegando a R$ 1,1 bi em prejuízos diretos. O termo clostridiose é utilizado para uma gama de doenças causadas pelas toxinas produzidas por bactérias do gênero Clostridium. Essas bactérias são gram positivas, anaeróbias e que, em ambientes com alto teor de oxigênio, esporulam-se e conseguem permanecer por grandes períodos viáveis no ambiente. Elas possuem alta velocidade de multiplicação e estão amplamente disseminadas no ambiente, no trato gastrointestinal e nas fezes dos animais, o que acarreta na grande disseminação dessas bactérias no rebanho.

 

As bactérias permanecem esporuladas até que falte oxigênio no ambiente e ele se torne anaeróbio, alternando para sua forma vegetativa. A forma vegetativa é a mais importante, uma vez que produz toxinas potentes e que causam a sintomatologia clínicas e rapidamente a morte dos animais.

 

Classificamos as clostridioses de acordo com as formas de ação das toxinas nos animais, sendo neurotrópicas (afetam o sistema nervoso), histotrópicas e mionecróticas (afetam os órgãos e musculatura) e enterotoxigênicas (afetam o sistema digestório). As neurotrópicas são produzidas pelas bactérias C. botulinum e C. tetani, causadoras de toxi-infecções com manifestações neurológicas, como o tétano e o botulismo. As histotrópicas são produzidas pelas bactérias C. chauvoei, C. sordelli, C. haemolyticum e C. novyi. São causadoras de infecções nos tecidos e órgãos, como a gangrena gasosa, o carbúnculo sintomático (manqueira), a hemoglobinúria bacilar e edema maligno. Já as enterotoxigênicas são produzidas por bactérias C. perfrigens no intestino dos animais com manifestações letais, enterites hemorrágicas e morte súbita, como as enterotoxemias. Ao todo são dez clostridioses de importância sanitária e econômica nos animais.

 

Animal com quadro clínico de botulismo. (Boi a pasto)

 

PREVENÇÃO

 

O tratamento para as clostridioses é muito difícil, uma vez que as doenças são de curso rápido e as toxinas são muito potentes, sendo necessária apenas uma pequena quantidade para desencadear o quadro clínico. Portanto, a melhor estratégia de prevenção e controle é a vacinação.

 

Podemos associar o manejo de vacinação contra clostridioses com outros manejos, a fim de economizar mão-de-obra e otimizar o tempo da fazenda, como o manejo contra aftosa, nas entradas de confinamento e desmama dos animais.

 

Um importante alerta é que nos casos de surto ou forte suspeita de morte de animais por clostridioses, todo o rebanho deve ser vacinado com reforços após 15 dias e seis meses.

 

Outro ponto que deve ser muito bem definido são as boas práticas na vacinação dos animais, uma vez que a vacina deve ser corretamente aplicada para que o animal fique completamente imunizado. Um manejo calmo e sem estresse, a higiene do material a ser utilizado, o acondicionamento correto das vacinas em caixas térmicas com a temperatura adequada, vacinar os animais no tronco de contenção para melhorar a eficiência da vacinação e aplicar pela via subcutânea aumentarão o nível de proteção do rebanho e melhorando também o bem-estar de seus animais.

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