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Dispositivos contendo 1,0g de progesterona são suficientes para manter a taxa de prenhez à IATF de vacas de alta produção

junho de 2019
4 min read

Para se manter economicamente viável, a propriedade de leite moderna deve investir em tecnologias que favoreçam a maior produtividade. Fatores como genética, ambiência, manejo e nutrição possuem um grande impacto no sistema e portanto devem sempre estar no radar do produtor e dos técnicos que assistem a fazenda. Além disso, é importante que o manejo reprodutivo seja intensificado, com a utilização da Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), com o objetivo de se reduzir o período de serviço e consequentemente o intervalo entre partos, mantendo a produção eficiente.

 

Entretanto, à medida que se aumenta a produção leiteira por vaca, aumentam-se os desafios para a IATF. Estudos demonstram que, quanto maior a média diária de leite da vaca maior a taxa de passagem de sangue pelo fígado do animal, levando a uma maior metabolização de hormônios importantes para a reprodução, como o estrógeno e a progesterona – tais hormônios são produzidos de maneira fisiológica pela própria fêmea, além de ser parte importante dos protocolos reprodutivos.

 

Nesse sentido, existia a crença de que, para vacas de leite com alta produção de leite (média acima dos 30,0 Lts/dia) era necessária a utilização de dispositivos de progesterona com maior concentração do fármaco, devido a essa maior metabolização hepática inerente a esse tipo de fêmea. Com o objetivo de dirimir essa dúvida, a Ourofino em parceria com as universidades e médicos-veterinários de campo delineou um estudo científico:

 

1) As fêmeas possuíam média de produção leiteira acima dos 30,0 Lts/dia e foram randomizadas de acordo com produção, DEL, tentativas prévias de IA, número de partos e ECC;

2) Foram utilizados 2 protocolos distintos (1 grupo com dispositivos contendo 1,9g de progesterona e outro grupo com dispositivos Sincrogest, contendo 1,0g de progesterona);

3) Os dispositivos foram utilizados por duas vezes (dispositivos novos e de 2º uso);

4) O delineamento completo segue à seguir:

 

Figura 1: Delineamento experimental. Adaptado de Olímpio et al., dados submetidos para a SBTE 2019.

 

As vacas receberam o diagnóstico de gestação aos 30 e aos 60 dias pós IATF, com o objetivo de avaliar a prenhez e a perda gestacional.

 

Não houve diferença entre os grupos, independentemente do uso do dispositivo (novo ou 2º uso) para a prenhez aos 30 ou 60 dias. Ainda, não houve diferença para a perda gestacional (P=0,97), de acordo com o gráfico de resultados à seguir:

 

Figura 2: Taxa de prenhez aos 30 dias, aos 60 dias e a perda gestacional entre 30 e 60 dias de acordo com os dois tipos de protocolos utilizados. Não houve diferença estatística. Adaptado de Olímpio et al. – submetido SBTE 2019.

 

Apesar de o dispositivo de 1,9g possuir maior quantidade de progesterona, isso não resulta em impacto na taxa de prenhez da IATF, quando comparado ao dispositivo contendo 1,0g de progesterona (Sincrogest). Estudos contendo a dosagem desse hormônio em vacas holandesas, após a inserção de dispositivos contendo 1,9 ou 1,0g de progesterona novos ou reutilizados demonstram perfis semelhantes de concentração sérica:

 

Figura 3: Concentração sérica de progesterona de vacas holandesas após a inserção de dispositivos contendo 1,9 g (formas pretas) ou 1,0g (formas brancas) de progesterona, durante seu primeiro uso (gráfico da esquerda) ou segundo uso (gráfico da direita). Adaptado de Melo, L.F. – tese de doutorado – ESALQ/USP, 2016.

 

Dessa maneira, o Sincrogest dispositivo pode ser utilizado por até duas vezes em vacas leiteiras de alta produção (acima de 30,0 Lts/dia), sem comprometimento da prenhez à IATF quando o implante é novo e também durante seu segundo uso, confirmando a hipótese do estudo e as observações já encontradas à campo.

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